O valor da marca na audiência de TV aberta pode ser uma lacuna estratégica a explorar. A audiência da TV aberta no Brasil vive um cenário de retração. Os números mostram queda generalizada, pressionados pelo crescimento do consumo de vídeos na internet e pela fragmentação da atenção. Essa realidade, já amplamente documentada, tem levado emissoras e anunciantes a buscarem alternativas que mantenham a relevância do meio.
No entanto, como observadora do ambiente midiático, percebo uma lacuna importante: pouco se fala sobre a influência do valor da marca da emissora na fidelização da audiência. Em outras palavras, até que ponto os telespectadores permanecem conectados a um canal não apenas pelo conteúdo exibido, mas também pela força simbólica de sua marca — hábito, tradição familiar, status social ou identificação com valores que a emissora representa?
Os dados disponíveis ainda não isolam esse efeito. Não há estudos que meçam, de forma objetiva, quanto a marca de uma emissora pode sustentar a audiência mesmo em momentos de fragilidade de programação. Mas alguns indícios apontam para essa direção: a TV aberta ainda é o meio preferido por grande parte dos brasileiros, mesmo diante de tantas opções digitais. Há, portanto, uma relação de confiança e hábito que pode ultrapassar a simples avaliação da qualidade de um programa.
Essa ausência de evidência não deve ser encarada como limitação, mas como oportunidade. Investigar a marca como ativo de fidelização pode oferecer às emissoras um diferencial competitivo diante do avanço das plataformas digitais. Afinal, uma marca forte não apenas atrai, mas também cria pertencimento, estilo de vida social.
A pergunta que fica é estratégica: se a audiência é volátil e os conteúdos competem em um cenário global, não seria a marca da emissora um dos poucos elementos capazes de oferecer fôlego adicional à TV aberta?
Uma pesquisa estruturada nesse sentido poderia ajudar emissoras a compreender melhor como sua identidade influencia hábitos, orientar investimentos em branding e, sobretudo, reposicionar a TV como espaço de valor em meio à avalanche de vídeos online sem jamais desconsiderar, é claro, a importância de entregar conteúdo de qualidade.
