A reinvenção da mídia linear na era do streaming pode ser um caminho a se escolher ? Nos últimos anos, o consumo de mídia tem passado por uma transformação radical. O modelo tradicional de transmissão linear, no qual os conteúdos são veiculados em uma programação fixa e imutável, tem sido desafiado pelo crescimento do streaming e dos serviços sob demanda. No entanto, em vez de ser substituído completamente, o formato linear pode encontrar novos caminhos para coexistir com a tecnologia digital, inspirando-se na flexibilidade da mídia não linear.
O desafio da TV linear frente ao streaming
Os dados confirmam a ascensão dos formatos digitais e sob demanda. Segundo um estudo da Kantar IBOPE Media, a internet atingiu 93% de penetração no Brasil em 2024, superando a TV aberta, que ficou com 75%. Além disso, 94% dos usuários consomem vídeos online regularmente, o que comprova a força do streaming na nova dinâmica de consumo.
Por outro lado, a TV linear mantém relevância em segmentos específicos. Ainda segundo a Kantar, 79% do consumo de vídeo no Brasil ocorre pela TV convencional, e 54% da população segue acompanhando conteúdos das grandes emissoras regularmente. Eventos ao vivo, transmissões esportivas e programas de grande audiência ainda atraem espectadores, mostrando que há espaço para inovação dentro do formato linear.
Smart TVs: A ponte entre os dois mundos
Uma das principais oportunidades para a mídia linear está na adoção das Smart TVs como um elo entre o tradicional e o digital. A conectividade desses dispositivos permite que as emissoras combinem programação fixa com elementos interativos, oferecendo ao público uma experiência mais envolvente e personalizada.
Modelos híbridos já começam a surgir, como os canais lineares dentro das plataformas de streaming. Serviços como Pluto TV e Samsung TV Plus oferecem programação contínua dentro do ambiente digital, mostrando que o formato linear pode se adaptar sem perder sua essência. Além disso, algumas emissoras estão implementando estratégias como:
- Interatividade: integração de enquetes ao vivo e participação do público em programas e transmissões esportivas.
- Recomendações inteligentes: aproveitamento de dados para sugerir conteúdos dentro da programação linear.
- Conteúdos complementares sob demanda: disponibilização de reprises inteligentes e extras para aprofundar a experiência do espectador.
A coexistência como caminho natural
Diante desse cenário, fica claro que a mídia linear não precisa ser extinta, mas sim reinventada. O benchmark da mídia não linear pode ser uma fonte de inspiração para inovação, permitindo que o formato tradicional aprenda com a personalização e a flexibilidade do digital.
O futuro da televisão não será uma batalha entre linear e não linear, mas sim um processo de integração. O público continua buscando previsibilidade e grandes eventos ao vivo, ao mesmo tempo que deseja liberdade para consumir conteúdo de forma personalizada. A tecnologia pode ser a chave para equilibrar esses dois mundos, garantindo que ambos prosperem na nova era da mídia.
